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Principais conclusões da reunião de março do Banco Central Europeu

8 Mar 2018

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Conclusão: Banco Central Europeu continua muito lentamente a caminhar no sentido de uma normalização da sua política monetária. O desaparecimento do comunicado da possibilidade de o programa APP poder ser aumentado em duração ou tamanho sob determinadas condições acaba por não ser surpresa tendo em conta o referido nas minutas da reunião de janeiro. Por outro lado, não deixa de representar mais um passo no sentido de mostrar uma maior confiança por parte do Banco Central Europeu e continuar a alterar o seu forward guidance de modo a diminuir a importância do programa APP, realçando as taxas de juro (subida apenas bem depois do final do período de compras líquidas) e os reinvestimentos.

Na sua conferência de imprensa, Mario Draghi minimizou a alteração realizada no comunicado, justificando-a com uma maior confiança para o crescimento económico e com uma redução dos riscos em torno da evolução futura da inflação.

De entre as várias questões sobre os riscos relacionados com o anúncio de medidas protecionistas, Mario Draghi referiu a importância de ver se há um impacto em termos de sentimento.

Em suma, a postura do Banco Central continua a ser bastante cautelosa (procurando minimizar o impacto nos mercados), tendo em conta a expectativa quanto a uma evolução modesta da inflação. Aliás, as novas previsões para a inflação não mostraram grandes alterações e mantêm um padrão bastante modesto em 2018, com as expectativas de uma aceleração concentradas em 2019 e 2020.

Ali aacute;s, as referências feitas por Mario Draghi na conferência de imprensa às dúvidas quanto aos recursos ainda por usar na economia reforçam a ideia de um Banco Central disposto a avançar apenas gradualmente no ajuste do seu forwrad guidance e na discussão no que se refere ao futuro do programa APP. Finalmente, voltou a ser sublinhado a importância do forward guidnace no que diz respeito às taxas de juro, ou seja, no que refere à primeira subida ocorrer bem depois do final do período de compras líquidas do programa APP.

Detalhes:

A - Comunicado: foi retirado o easing bias relativamente ao programa APP, ou seja, a possibilidade de aumentar o tamanho ou a duração do programa, se as perspetivas ou as condições financeiras tornarem-se inconsistentes com progressos adicionais no sentido de um ajuste sustentável na tendência da inflação. Não sendo uma surpresa, uma vez que as minutas da reunião de janeiro tinham mostrado a intenção por parte de alguns membros do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu de alterar o forward guidance nesse sentido, representa mais um passo para terminar com o programa APP e traduz o reconhecimento de uma maior confiança no que diz respeito à evolução da inflação.

O resto do comunicado foi idêntico ao da reunião de 25 de janeiro: (1) expectativa de manutenção das taxas de juro ao atuais níveis por um período extenso de tempo e até bem depois do final do período de compras líquidas do programa APP, (2) manutenção de um ritmo de compras em termos líquidos no valor de 30 mil milhões de euros por mês até ao final de setembro, ou até que seja visível um ajuste sustentável na tendência da inflação consistente com a meta definida, (3) reinvestimentos dos montantes que alcançarem a maturidade por um período extenso de tempo após o final do período de compras líquidas do programa APP, e pelo tempo considerado necessário.

B - Conferência de Imprensa de Mario Draghi:

  • Quanto ao enquadramento económico, mencionou um forte momento positivo que poderá conduzir a surpresas positivas. Mesmo assim, continua a ser necessária uma política monetária bastante expansionista para provocar uma aceleração da inflação;
  • Riscos continuam a ser vistos como equilibrados ao crescimento económico da área do euro. Foram mencionados como riscos negativos: fatores globais, fatores relacionados com os mercados cambiais e também com políticas protecionistas;
  • Mario Draghi minimizou a importância do desaparecimento (numa decisão unânime) do easing bias relativamente ao programa APP do comunicado do Banco Central Europeu, uma vez que o resto do forward guidance mantém a possibilidade de prolongar o período de compras líquidas se necessário para atingir a meta da inflação. Mesmo assim, justificou a decisão com as revisões favoráveis no crescimento da economia e uma menor incerteza com a evolução da inflação;
  • Mencionou que não houve discussões relativamente a outras alterações, reconheceu uma redução nos riscos quanto à evolução da inflação, embora permaneça afastada da meta definida. Foi referido uma discussão sobre a incerteza em torno da evolução do output gap, tendo em conta principalmente as dúvidas relativamente aos recursos ainda por usar no mercado de trabalho;
  • Chamou a atenção para a importância de todos os instrumentos de política monetária que estão a ser usados (e não apenas o programa APP), nomeadamente no que se refere ao forward guidance para as taxas de juro;
  • Mostrou preocupação com o estado das relações internacionais, sendo importante ver a resposta que as tarifas anunciadas pelas autoridades dos EUA irá originar nos seus parceiros comerciais;
  • Defendeu a importância do total de compras já realizadas, mas também da realização de novas compras, uma vez que o momento da primeira subida das taxas de juro continua dependente do final do período de compras líquidas do programa APP;
  • Considerou que o Banco Central Europeu continua a preferir reagir do que agir de forma prematura.

C - Atualização da projeções macro do Staff do Banco Central Europeu: como era esperado, apenas ligeiras alterações face a dezembro. A economia da área do euro é agora vista a crescer 2,4% em 2018 (vs. 2,3% anteriormente), traduzindo uma revisão em alta para o crescimento no 1º trimestre de 2018 (0,7% vs. 0,5% nas previsões de dezembro).

No que se refere à inflação, a única alteração foi uma redução ligeira em baixa na previsão para 2019 (de 1,5% para 1,4%). Não houve alterações nas previsões para a inflação depois de excluir alimentação e energia, permanecendo a previsão para 2018 num valor bastante modesto e bem afastado da meta do Banco Central Europeu. Finalmente, foram reduzidas as previsões para a taxa de desemprego no período 2018-2020.

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