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Mensal PATRIS - setembro 2018

28 Sep 2018

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Pontos em Destaque:

Os indicadores coincidentes do Banco de Portugal para a atividade económica e o consumo privado voltaram a cair em agosto, tendência observada desde o máximo de agosto de 2017;

A economia portuguesa apresentou nos últimos 3 trimestres um ritmo de expansão em termos reais superior ao observado para a área do euro como um todo. Por outro lado, e não obstante o abrandamento já observado no ritmo de crescimento, a economia nacional continua a crescer acima do seu potencial de longo prazo;

Os indicadores de sentimento na área do euro permanecem mistos. De qualquer forma, os sinais observados sugerem que a procura interna tem permitido compensar as preocupações relacionadas com a área industrial, mais exposta ao ciclo de comércio internacional. Por outro lado, continuam a não ser visíveis sinais de uma maior deterioração em Itália, apesar da incerteza relacionada com o Orçamento de Estado para 2019;

Moody's e DBRS poderão atualizar a sua opinião sobre Portugal (ambas no dia 12 de outubro), com destaque para a Moody´s (Ba1, perspetivas positivas), uma vez que é a única agência de rating que ainda não atribui uma notação de investment grade à dívida portuguesa. A evolução da situação em Itália poderá permanecer um tema importante para a periferia da área do euro, apesar do efeito contágio continuar, para já, a ser bastante limitado.

MACRO:

Os indicadores coincidentes do Banco de Portugal para a atividade económica e o consumo privado voltaram a baixar em agosto, tendência observada desde o máximo de agosto de 2017. Foram atingidos mínimos desde setembro de 2016 e julho de 2016 para os indicadores coincidentes da atividade económica e do consumo privado, respetivamente.

Esta evolução sugere que permanecem riscos de o ritmo de expansão da economia portuguesa poder continuar a abrandar. Os indicadores de sentimento do INE para setembro forneceram sinais de sustentação nos setores domésticos, mas uma deterioração adicional para a área industrial.

Num momento em que a atualização do Programa de Estabilidade de Itália se encontra no centro das atenções dos investidores, e tendo em conta que as próximas semanas deverão também mostrar o Orçamento de Estado do governo português para 2019, vale a pena relembrar o que tem sido o comportamento do consumo público nos últimos anos entre os principais agregados do PIB na ótica da despesa.

O consumo público tem apresentado uma fraca evolução no atual ciclo económico, consistente com um esforço de consolidação orçamental (que também beneficiou da evolução positiva da economia no período).

Importante para a execução orçamental do governo português tem sido o comportamento da economia no atual ciclo de expansão.

A economia portuguesa apresentou mesmo nos últimos 3 trimestres um ritmo de expansão em termos reais superior ao observado para a área do euro como um todo. Por outro lado, e não obstante o abrandamento já observado no ritmo de crescimento, a economia nacional continua a crescer acima do seu potencial de longo prazo.

A economia portuguesa continua a crescer acima do seu ritmo potencial, sensivelmente em linha com o que ocorre com Itália e a área do euro como um todo. Pela positiva continua, contudo, a destacar-se a economia espanhola.

Segundo os dados divulgados pelo INE no final de agosto, a taxa de desemprego situou-se em 6.8% em julho, um valor idêntico ao observado no mês anterior, permanecendo no mínimo desde setembro de 2002. Aliás, a estimativa provisória do INE para a taxa de desemprego de agosto aponta para a manutenção do mesmo valor.

O atual ciclo de expansão da economia Portuguesa continua a ser caracterizado por uma forte redução da taxa de desemprego, mesmo quando comparado com anteriores ciclos económicos.

Adicionalmente, este comportamento do mercado de trabalho reflete também uma mais fraca evolução da produtividade.

MERCADO DE AÇÕES:

Durante o mês de setembro, o PSI20 apresentou uma evolução negativa, tendo registado uma queda de 1.17%. O índice Europeu STOX600 cresceu ligeiramente em setembro (+0.24%), com apenas 6 dos 19 principais setores a conseguirem fechar o mês positivos: Recursos Naturais (+4.67%), Petróleo & Gás (+4.55%), Seguros (+3.31), Bancos (+1.50%, apesar da queda observada hoje devido ao tema da Itália), Telecomunicações (+0.09%) e Químicas (+0.02%);

No que se refere à evolução das cotadas do índice nacional, a NOS (+4.96%) destacou-se pela positiva no mês. Merecem também destaque os ganhos da Altri (+3.77%), EDP Renováveis (+2.28%), BCP (+1.67%) e do grupo CTT (+0.78%). Os restantes membros do índice fecharam o mês com perdas. A Mota-Engil (-21.50%), Pharol (-14.49%), e Sonae Capital (-13.84%) foram as cotadas mais penalizadas;

O mês de setembro terminou com a EDP a reduzir a sua previsão para os resultados líquidos de 2018, justificado com os encargos associados às alegadas sobrecompensações com os CMEC. O título apresentou uma perda de 5.56% no mês de setembro, tendo terminado com uma cotação inferior à contrapartida subjacente à oferta lançada pela China Three Gorges de 3,26 euros por ação;

As tensões comerciais entre EUA e China, receios relacionados com o Orçamento do Estado de Itália para 2019, e a evolução da economia chinesa, permanecem riscos para a evolução dos mercados de ações;

Os indicadores de sentimento na área do euro permanecem mistos. De qualquer forma, os sinais observados sugerem que a procura interna tem permitido compensar as preocupações relacionadas com a área industrial, mais exposta ao ciclo de comércio internacional. Por outro lado, continuam a não ser visíveis sinais de uma maior deterioração em Itália, apesar da incerteza relacionada com o Orçamento de Estado para 2019;

A atenção irá agora concentrar-se no período de reporte dos resultados referentes ao 3º trimestre de 2018. A Galp Energia divulga o seu trading update no dia 15 de outubro, e os resultados trimestrais no dia 29 de outubro. No dia seguinte, teremos os números de Jerónimo Martins, Navigator e do grupo CTT. No dia 31 de outubro, a Semapa e a Altri devem publicar os seus resultados;

Mantemos inalterado o nosso suporte aos CTT (expectativa quanto ao Plano de Transformação Operacional), NOS (política de dividendos e evolução das margens), Jerónimo Martins (receios do mercado quanto ao impacto das alterações na abertura do comércio ao domingo na Polónia), Galp Energia (hedge perante o risco de subidas adicionais na cotação do petróleo) e Sonae (colocação em bolsa da Sonae MC). Substituímos a Corticeira Amorim pela Navigator (sinais positivos no mercado da pasta e do papel).

DÍVIDA SOBERANA:

O último mês mostrou uma estabilização na yield a 10 anos de Portugal, após a subida observada na segunda metade do mês de setembro. A inclinação da curva portuguesa, medida pela diferença entre as yields das obrigações a 10 e 2 anos, diminuiu em setembro, mas permanece bem acima dos mínimos do ano observados em março junto dos 180 pontos de base;

No dia 13 de setembro, o Banco Central Europeu manteve as taxas de juro inalteradas e confirmou a redução no ritmo mensal de compras do programa QE, a partir do início de outubro, com as compras líquidas de ativos a situarem-se agora em 15 mil milhões de euros, face aos anteriores 30 mil milhões de euros. Mario Draghi mostrou-se confiante para a evolução da economia (não obstante o abrandamento registado face ao ritmo de crescimento observado no final do ano passado) e da inflação. Aliás, chamou a atenção dos investidores, a intervenção de Mario Draghi perante o Comité Económico e de Assuntos Monetários do Parlamento Europeu, no que se refere aos comentários realizados sobre a inflação e o mercado de trabalho. Para já, interpretamos estas palavras mais como uma forma de justificar o final previsto do período de compras líquidas do programa QE no final do ano, do que como sinalização ao mercado quanto a possíveis alterações na normalização da política monetária, nomeadamente no que se refere ao ritmo de subida de taxas a partir do verão de 2019 (interpretação confirmada pelas palavras posteriores de Peter Praet, economista-chefe do Banco Central Europeu);

A normalização da política monetária por parte do Banco Central Europeu será provavelmente um tema para 2019, ano que também será marcado pelo final dos mandatos de Peter Praet e Mario Draghi;

No dia 26 de setembro, teve lugar mais uma reunião do Comité da Politica Monetária da Reserva Federal dos EUA, tendo sido anunciada a esperada subida de 25 pontos de base na fed funds rate, dando assim continuidade à normalização da sua política monetária. O Comité reafirmou que a economia continua forte, tal como o mercado de trabalho, sendo que a inflação permanece junto da meta de 2%. Apesar desta avaliação favorável do contexto económico, o Comité não alterou a sua indicação para a evolução da fed funds rate, continuando a apontar para um total de 4 subidas de 25 pontos de base em 2018, 3 subidas em 2019 e 1 subida em 2020;

No que se referemos às agências de rating, Moody's e DBRS poderão atualizar a sua opinião sobre Portugal (ambas no dia 12 de outubro), com destaque para a Moody´s (Ba1, perspetivas positivas), uma vez que é a única agência de rating que ainda não atribui uma notação de investment grade à dívida portuguesa. A evolução da situação em Itália poderá permanecer um tema importante para a periferia da área do euro, apesar do efeito contágio continuar, para já, a ser bastante limitado.

MERCADO DE CRÉDITO DE EMPRESAS:

O mês de setembro mostrou uma evolução mista entre as principais emissões e emitentes no mercado de crédito de empresas em Portugal. O destaque pela positiva vai para o setor bancário, nomeadamente para as emissões de dívida subordinada BCP 4.5% 07 dezembro 2027 (call @100 em 07 dezembro 2022) e Novo Banco 8.5% 06 julho 2028 (call @ 100 em 06 julho 2023);

No momento em que escrevemos, regista-se uma forte subida nas yields ao longo da curva soberana italiana (após a divulgação das metas orçamentais na atualização do Programa de Estabilidade), embora, para já, com efeito contágio limitado a Portugal e Espanha. No segmento acionista, o setor bancário de Itália foi também fortemente atingido (relembrando que a ligação entre o setor e a dívida soberana do país não foi quebrada). Este tema deverá manter-se no centro das atenções, com a divulgação dos detalhes referentes ao Orçamento de Estado para 2019, o seu debate no parlamento local e, principalmente, a avaliação que será realizada pelo Comissão Europeia do documento;

O iTraxx Crossover continuou a apresentar uma evolução favorável, num ambiente de subida para as yields soberanas no core da área do euro. Mesmo assim, permanecemos em níveis de spreads acima do observado no final de 2017 (conclusão válida para a maior parte do mercado de crédito, com a importante exceção do high yield nos EUA). Estaremos atentos a sinais de alteração nesta tendência observada nos meses mais recentes, particularmente na procura de temas (para além de Itália) que possam contribuir para um aumento da aversão ao risco;

Com o início do mês de outubro, o ritmo mensal de compras em termos líquidos do programa QE do Banco Central Europeu (incluindo as compras de obrigações de empresas, ao abrigo do programa CSPP) irá reduzir-se de 30 para 15 mil milhões de euros, o que representa mais um passo em direção a uma política monetária menos expansionista. No comunicado divulgado após o final da reunião de setembro, voltou a ser referido que, dependendo dos dados económicos confirmarem as perspetivas de médio prazo para a inflação, o período de compras em termos líquidos deverá terminar no final do ano.

Apesar de alguns riscos continuarem a ser identificados (Itália, tensões comerciais entre EUA e China), e da política monetária continuar gradualmente a tornar-se menos expansionista (principalmente nos EUA, mas também na área do euro, tendo em conta a redução no ritmo mensal de compras de títulos pelo programa QE do Banco Central Europeu), a principal preocupação poderá mesmo passar por eventuais sinais adicionais de abrandamento no ritmo de expansão da economia global.

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