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Mensal PATRIS - agosto 2018

3 Sep 2018

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Pontos em Destaque:

As contas nacionais trimestrais divulgadas hoje pelo INE confirmaram a taxa de crescimento trimestral de 0,5% para o PIB em volume no período entre abril e junho, o que representou uma aceleração face à taxa de variação observada nos primeiros 3 meses dos ano (0,4%);

Durante o mês de agosto, o PSI20  apresentou uma evolução negativa,  tendo registado uma queda de 3,51%, o que reflete também a tendência observada ao nível europeu, uma vez que o STOXX600 perdeu 2,39% no mesmo período. Uma referência também para a underperformance da Europa face aos EUA, tendo o índice S&P500 realizado novos máximos históricos. Esta evolução reflete provavelmente o maior impacto negativo na economia/empresas europeias do período de incerteza que tem caracterizado os mercados emergentes, mas também, os riscos específicos na região, relacionados com o BREXIT e a situação em Itália; 

A Standard & Poor's (BBB-, perspetivas estáveis) poderá rever a sua opinião sobre Portugal no dia 14 de setembro. Até ao final do ano, teremos ainda a Moody´s (Ba1, perspetivas positivas), no dia 12 de outubro, permanecendo a única agência de rating que mantém Portugal em junk. A DBRS e a Fitch deverão pronunciar-se no dia 12 de outubro e 30 de novembro, respetivamente;

O ambiente de subidas nas yields soberanas na periferia da área do euro acabou também por revelar-se um entrave para a área dos corporates em Portugal.

MACRO

A estimativa divulgada pelo INE aponta para a manutenção da taxa de desemprego em 6,8% no mês de julho, o que representa o valor mais baixo desde setembro de 2002. A taxa de desemprego mantém uma tendência anual de queda em torno de 2 pontos percentuais.

No que se refere aos indicadores de confiança para agosto, o sentimento nos consumidores permaneceu também praticamente inalterado. Apesar da queda observada face aos máximos para o atual ciclo económico, o índice situa-se ainda 1,4 desvios padrões acima da sua média de longo prazo. As intenções de realização de compras importantes continuam junto dos seus máximos para a atual expansão.

Tendo por base a informação preliminar divulgada pelo INE, a taxa de variação homóloga do índice de preços no consumidor terá diminuído de 1,6% em julho para 1,2% em agosto. Esta desaceleração nas pressões inflacionistas não reflete apenas o comportamento da componente da energia (de 7,7% para 7,4%), uma vez que, excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, a taxa de variação deverá ter registado um enfraquecimento, de 1,0% em julho para 0,6% em agosto.

A taxa de variação homóloga do índice harmonizado de preços no consumidor para Portugal terá registado um valor de 1,3% (vs. 2,2% em julho), compatível com a manutenção de um ambiente de modestas pressões inflacionistas.

As contas nacionais trimestrais divulgadas hoje pelo INE confirmaram a taxa de crescimento trimestral de 0,5% para o PIB em volume no período entre abril e junho, o que representou uma aceleração face à taxa de variação observada nos primeiros 3 meses do ano (0,4%).

Em termos homólogos, a economia cresceu 2,2% nos primeiros 6 meses do ano, o que representa um abrandamento face ao forte ritmo observado em 2017 como um todo (2,7%).

Em termos de contributos para a taxa de variação trimestral não anualizada de 0,5%, a componente das existências contribuiu com 0,6 pontos percentuais. A procura interna excluindo as existências registou um contributo de 0,2pp, tendo as exportações líquidas retirado 0,4pp ao crescimento da economia no período.

Continua a ser observada uma gradual deterioração em termos da evolução do comércio internacional para a economia portuguesa, traduzindo o mais rápido crescimento das importações, quando comparado com as exportações. Mesmo assim, permanecemos bem longe dos níveis observados no passado.

Para a evolução das importações continua a contribuir o comportamento da procura interna. A procura interna depois de excluir a constituição de existências cresceu 0,2% no 2º trimestre de 2018, após o forte ganho observado nos primeiros 3 meses do ano (+1,0%). Em termos homólogos, registou-se uma taxa de variação de 2,4% no 1º semestre de 2018, o que representa um abrandamento face ao ritmo de crescimento observado em 2017 como um todo (2,9%).

MERCADO DE AÇÕES

Durante o mês de agosto, o PSI20  apresentou uma evolução negativa,  tendo registado uma queda de 3,51%, o que reflete também a tendência observada ao nível europeu, uma vez que o STOXX600 perdeu 2,39% no mesmo período. Uma referência também para a underperformance da Europa face aos EUA, tendo o índice S&P500 realizado novos máximos históricos (+8,31% acumulado no ano, no momento em que escrevemos). Esta evolução reflete provavelmente o maior impacto negativo na economia/empresas europeias do período de incerteza que tem caracterizado os mercados emergentes, mas também, os riscos específicos na região, relacionados com o BREXIT e a situação em Itália; 

No que se refere à evolução das cotadas do PSI20, o grupo CTT (+11,44%) destacou-se pela positiva no mês. Merecem também destaque os ganhos de Jerónimo Martins (+1,77%) e Corticeira Amorim (+1,37%). A F. Ramada finalizou o mês inalterada. Os restantes membros do PSI20 fecharam o mês com perdas. Navigator (-11,88%), Semapa (-11,44%) e Pharol (-10,20%) foram as cotadas mais penalizadas;

No dia 22 de agosto a Sonae divulgou os resultados para o 2º trimestre de 2018. As vendas consolidadas cresceram 4,5% em termos homólogos enquanto o lucro líquido aumentou 20,6% para 78 milhões de euros. Destaque para o desempenho da Sonae MC, ao apresentar  um EBITDA recorrente de 52 milhões de euros no 2º trimestre de 2018, o que representou um aumento de 4,1% face ao mesmo período do ano passado;

A incerteza em torno dos mercados emergentes (como os últimos dias relembram tendo em conta a situação na Argentina) e os receios relacionados com o Orçamentos de Estado de Itália para 2019 permanecem riscos para a evolução dos mercados de ações ao longo dos próximos meses. A possibilidade de serem implementadas tarifas adicionais às importações por parte dos EUA deverá também continuar a merecer a atenção dos investidores;

O setor bancário europeu continuará provavelmente a revelar-se bastante sensível ao fluxo de notícias relacionado com os temas expostos no ponto anterior, com consequências para a evolução da cotação do BCP;

Mantemos inalterado o nosso suporte aos CTT (expectativa quanto ao Plano de Transformação Operacional), NOS (política de dividendos e evolução das margens), Jerónimo Martins (receios do mercado quanto ao impacto das alterações na abertura do comércio ao domingo na Polónia), Galp Energia (hedge perante o risco de subidas adicionais na cotação do petróleo), e à Sonae (exposição ao ciclo económico em Portugal). Acrescentamos este mês a Corticeira Amorim (exposição a uma eventual subida adicional do dólar norte-americano).

DÍVIDA SOBERANA

O último mês mostrou uma subida da yield a 10 anos em Portugal, tal como aconteceu em Espanha e na Grécia (que no dia 20 de agosto concluiu o seu terceiro programa de resgate), traduzindo o ambiente de maior aversão ao risco, entre receios relativamente aos mercados emergentes, e a expectativa perante o Orçamento de Estado de 2019 em Itália, tendo em conta os sinais contraditórios vindos do governo.

Relativamente a este tema, a nossa atenção está na atualização das projeções económicas e orçamentais (assim como possivelmente dar maior visibilidade relativamente a eventuais reformas estruturais que possam ser implementadas) que o governo italiano deverá divulgar até ao dia 27 de setembro (até que ponto será de esperar que a divulgação do documento possa ser antecipada, se as pressões nos mercados se mantiverem inalteradas?). O Orçamento de Estado para 2019 deverá ser entregue à Comissão Europeia até 15 de outubro, sendo formalmente apresentado entre os dias 20 e 31 do mesmo mês. A Comissão Europeia deverá emitir a sua opinião  sobre o documento no período entre 1 e 15 de novembro;

No atual contexto de incertezas, a Moody´s atrasou a sua revisão do rating de Itália para o final de outubro, com objetivo de ganhar maior visibilidade quanto à evolução do défice público e da dívida pública, assim como no se refere a eventuais reformas que poderão ser implementadas pelo governo ao longo dos próximos anos. Hoje, a Fitch poderá rever o rating de Italia (BBB/Stable). Ao longo das próximas semanas as negociações em torno do Orçamento de Estado para 2019 em Itália poderão permanecer no centro das atenções dos investidores, o que poderá continuar a criar riscos para as obrigações de dívida soberana portuguesas;

A S&P (BBB-, perspetivas estáveis) poderá rever a sua opinião sobre Portugal no dia 14 de setembro. Até ao final do ano, teremos ainda a Moody´s (Ba1, perspetivas positivas), no dia 12 de outubro, permanecendo a única agência de rating que mantém Portugal em junk. A DBRS e a Fitch deverão pronunciar-se no dia 12 de outubro e 30 de novembro, respetivamente;

A inclinação da curva soberana portuguesa, medida pela diferença entre as yields das obrigações a 10 e 2 anos, aumentou durante o mês de agosto, um comportamento usualmente observado em períodos de maior aversão ao risco (como ocorreu em agosto) e aumento do prémio de risco associado ao país.

MERCADO DE CRÉDITO DE EMPRESAS:

O mês de agosto mostrou um enquadramento menos favorável para o mercado de crédito na Europa, traduzindo nomeadamente os sinais contraditórios vindos de Itália (declarações do Ministro das Finanças Giovani Tria e dos líderes do Lega e do 5-Stelle, as duas forças políticas que suportam o atual governo), e o período de maior volatilidade nos mercados emergentes (com a Argentina e a Turquia a permanecerem no centro das atenções);

O contexto mais difícil para a área de crédito foi visível na subida do iTraxx Crossover. Na área dos mercados emergentes, o  índice EMBI também registou uma subida no mês. Este índice continua a aproximar-se do seu máximo do ano, o que representa o nível mais elevado desde novembro 2016. O enquadramento mais desfavorável para esta classe de ativos teve também implicações para o mercado de corporates em Portugal durante o mês de agosto, tanto na área financeira, como na área não financeira;

Adicionalmente, o ambiente de subidas nas yields soberanas na periferia da área do euro acabou também por revelar-se um entrave para a área dos corporates em Portugal;

No dia 23 de agosto, o Novo Banco divulgou os seus resultados para o 1º semestre de 2018. O prejuízo líquido foi de 231,2 milhões de euros, o que compara com um prejuízo de 290,3 milhões de euros no mesmo período do ano anterior. No 2º trimestre de 2018, o banco concluiu a emissão das obrigações subordinadas Tier 2, no montante de 400 milhões de euros, o que levou o rácio provisório de capital total a subir para 14,7% no final de junho de 2018. O rácio provisório de capital CET1 situou-se em 13,5%, enquanto os non-performing loans foram reduzidos em 1,5 mil milhões de euros para 8,8 mil milhões de euros em junho 2018. A cobertura por imparidades foi reforçada, atingindo 63,0%, o que compara com 58,7% em dezembro de 2017;

A manutenção do atual contexto de incertezas continua a criar riscos para esta classe de ativos de risco, não obstante o programa CSPP de compra de corporates por parte do Banco Central Europeu continuar provavelmente a representar um fator de suporte. De relembrar que o Banco Central Europeu comunicou já a intenção de terminar o período de compras líquidas do seu programa QE no final do ano, após um período de tapering no 4º trimestre de 2018, sujeito aos sinais divulgados nos próximos meses confirmarem as perspetivas do Banco para a evolução da inflação;

Com o final do mês de agosto e a expectativa perante o regresso de maiores volumes no mercado primário, a nossa atenção estará também no impacto que será observado nos spreads de crédito.

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