banner

Ticker

* Cotações com atraso superior a 15 minutos via Bats CHI-X Europe e NASDAQ Basic

MENSAL - FEVEREIRO 2018 (parte 2)

27 Feb 2018

noticias/mensal-Patris.jpg

Dívida soberana:

A emissão OT 4,125% 14 abril 2027 apresenta, no momento em que escrevemos, uma yield 16 pontos de base superior à observada no mínimo de janeiro, permanecendo ainda cerca de 9 pontos de base abaixo do valor observado no fecho de 2017. Esta evolução favorável tem sido observada num enquadramento de (1) incerteza perante as eleições legislativas em Itália (4 de março), (2) governo ainda por confirmar na Alemanha (4 de março), (3) antecipação das expectativas do mercado para a primeira subida de taxas por parte do Banco Central Europeu (visível no comportamento da parte mais  curta das curvas na área do euro), e (4) yields nominais mais elevadas na Alemanha e nos EUA;

Mesmo no que se refere aos spreads face à Alemanha na parte mais longa da curva em Portugal, a subida revelou-se limitada, se nos lembrarmos da queda que os índices de ações na região apresentaram entre finais de janeiro e o início de fevereiro (sugerindo uma redução na correlação que anteriormente era observada em períodos de maior aversão ao risco). O sólido contexto macro na área do euro e as perspetivas positivas para a economia portuguesa (reafirmadas no relatório publicado em fevereiro pelo Fundo Monetário Internacional) têm continuado a representar importantes suportes.  Tal como temos referido noutras ocasiões, estamos atentos aos riscos para os spreads da periferia, incluindo Portugal, para as próximas semanas, fruto da evolução recente do crédito (subida do índice iTraxx Xover desde os seus mínimos de janeiro), principalmente se concidir (a) com um período mais fraco para os índices de ações e (b) a confirmação de uma consolidação nos principais indicadores de sentimento na região, a exemplo do observado na leitura de fevereiro do índice composto da IHS Markit e o índice do instituto Ifo;

No que diz respeito ao contexto criado pelas yields de Alemanha e EUA, tendo em conta o que já foi incorporado nos preços para o comportamento da política monetária por parte de Banco Central Europeu e Reserva Federal dos EUA, a principal ameaça ao período de retração das yields que é observado no momento em que escrevemos continua provavelmente associada à inflação, tanto na área do euro (tendo em conta as, ainda, moderadas expectativas do mercado, assim como as novas previsões que serão divulgadas na reunião de 8 de março do Banco Central Europeu), como nos EUA (mercado de trabalho junto de uma situação de pleno emprego e efeito base favorável nos próximos meses);

Para os próximos dias, a atenção estará no resultado das eleições legislativa em Itália. Se for evitado um cenário de maior aversão ao risco, a periferia poderá registar uma reação positiva. Mas, nesse cenário, a nossa atenção estaria, preferencialmente, em Itália ou em Espanha.

Mercado de crédito de empresas: 

O período desde o início do ano tem mostrado uma correção nos preços, refletindo não só o ambiente desfavorável na dívida de governos, como também a deterioração dos spreads no iTraxx Xover na Europa no mesmo período. Esta correção foi particularmente visível na área das Utilities em Portugal (REN, EDP), provavelmente refletindo (a) as notícias vindas de Espanha relativamente ao enquadramento de regulação e (b) a queda observada pelo setor no segmento acionista (aliás, no momento em que escrevemos, o setor das utilities apresenta a mais fraca evolução, em termos de preços, desde o início do ano, entre os 19 principais setores do índice EURO STOXX);

Contudo, também as emissões de emitentes como a Brisa e a Parpública apresentaram alguma correção desde os níveis observados em finais de 2017;

Um período de consolidação nos indicadores de sentimento na área do euro, a exemplo do observado na leitura de fevereiro para os índices PMI da IHS Markit, Ifo e INSEE, iria provavelmente continuar a condicionar a evolução do índice iTraxx Xover e, consequentemente, as emissões dos principais emitentes em Portugal;

A principal preocupação permanece relacionada com os baixos níveis de spreads que continuam a ser obervados, não obstante a evolução registada desde o início do ano. Desta forma, o mercado permanece sensível a uma mais forte correção, mesmo reconhecendo que a evolução macro e do ciclo de resultados das empresas permanecem ambos suportes;

Também a área financeira foi afetada pela maior volatilidade nos ativos de risco observada desde o início do ano. Tanto a emissão subordinada do BCP 4,5% 7 dez. 2027 (Call @100 em 7 dez. 2022), como a AT1 da Caixa Geral de Depósitos (cupão 10,75%, com Call @ 100 em 30 mar. 2022) afastaram-se já dos níveis de yields mais baixos registados em janeiro. A continuação de um ambiente menos favorável aos mercados de ações (como visível na correção entre finais de janeiro e o início de fevereiro) permanece um risco;

Mesmo assim, esta área do mercado de crédito continua a ser vista como suportada pelas expectativas de yields mais elevadas, normalização da política monetária do Banco Central Europeu, redução dos NPEs em balanço e gradual melhoria da rentabilidade dos capitais próprios (traduzindo uma evolução mais favorável do ciclo de crédito tendo em conta o contexto macro).

Voltar