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* Cotações com atraso superior a 15 minutos via Bats CHI-X Europe e NASDAQ Basic

MENSAL - FEVEREIRO 2018 (parte 1)

27 Feb 2018

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Pontos em Destaque:

A dívida do setor privado não financeiro (em percentagem do PIB) em Portugal registou, no período entre outubro e dezembro, o 18º trimestre consecutivo de queda em termos homólogos. A exemplo dos trimestres anteriores, os dados do 4º trimestre de 2017 voltaram a mostrar uma redução no ritmo de queda em termos homólogos nos segmentos  das empresas não financeiras e das famílias;

A retração nas yields da Alemanha e dos EUA ocorre após terem sido incorporadas expectativas de antecipação na normalização da política monetária na área do euro e nos EUA. Após a fraca evolução desde o início do ano, o setor das Utilities na área do euro poderá encontrar algum suporte, o que coloca a nossa atenção na EDP e, principalmente, na REN;

A emissão OT 4,125% 14 abril 2027 apresenta, no momento em que escrevemos, uma yield 16 pontos de base superior à observada no mínimo de janeiro, permanecendo ainda cerca de 9 pontos de base abaixo do valor observado no fecho de 2017. Para os próximos dias, a atenção estará no resultado das eleições legislativas em Itália.

MACRO:

Os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional mostraram uma descida em termos homólogos de 16% no desemprego registado nos centros de empregos em Portugal para 415.539 no final do mês de janeiro.

O início de 2018 mostrou uma continuação face à tendência observada nos anos anteriores. Este comportamento sugere que a evolução do mercado de trabalho permanece positiva, suportada pelo crescimento sólido da economia.

A estimativa do INE de uma taxa de desemprego de 7,8% para dezembro de 2017 compara com uma média histórica de 8,7% registada desde 1983 e um valor de 7,0% para a média entre 1983 e 2001.

Com base na informação contida no Boletim Estatístico de dezembro do Banco de Portugal, a dívida pública na ótica de Maastricht atingiu 126,2% do PIB nominal no final do ano passado. Este valor é idêntico ao que tinha sido indicado no Orçamento de Estado para 2018.

A evolução favorável esperada para a economia portuguesa em 2018, ainda reafirmada pelo relatório divulgado no final da semana passada pelo Fundo Monetário Internacional (com a expectativa de um crescimento do PIB nominal de 3,7%em 2018, após 4,2% em 2017), permanece um importante suporte para que a meta para este ano que consta do Orçamento de Estado para 2018 seja também (pelo menos) atingida (123,5%).

A dívida do setor privado não financeiro (em percentagem do PIB) registou, no período entre outubro e dezembro, o 18º trimestre consecutivo de queda em termos homólogos. A leitura do 4º trimestre de 2017 (211,5%) representa uma queda de 53,2 pontos percentuais face ao máximo observado no 4º trimestre de 2012.

Para esta tendência continuam a contribuir tanto as famílias (-0,6 pontos pecentuais face ao 3º trimestre de 2017 para 73,9% em dezembro de 2017), como as empresas não financeiras (-0,3 pontos percentuais para 137,7%). Refira-se que, a exemplo dos trimestres anteriores, os dados do 4º trimestre de 2017 voltaram a mostrar uma redução no ritmo de queda em termos homólogos nas empresas não financeiras e nas famílias.

Utilizando os dados do Banco de Portugal, o segmento do crédito ao consumo continuava a ser o único a apresentar uma taxa de variação homóloga positiva no final de 2017.

O importante segmento do crédito às sociedades não financeiras, depois de ajustado por operações de titularização e vendas de carteiras de crédito, viu a sua taxa de variação homóloga negativa continuar a ficar menos significativa e atingir -0,3% em dezembro. Ou seja, este segmento encontra-se agora praticamente estável em termois homólogos. Tal comportamento é compatível com uma evolução mais favorável por parte das carteiras de crédito do setor bancário em Portugal.

Mercado das ações:

Desde o início do ano (e até ao momento em que escrevemos), o índice PSI20 regista um ganho (apenas componente preço) de 1,65%, o que compara com as perdas registadas no mesmo período de 0,33% e 1,30% para Euro Stoxx e Euro Stoxx 50, respetivamente. Semapa (+3,37%), Galp Energia (+1,11%) e BCP (+1,01%) encontram-se entre os títulos do PSI20 que se destacaram pela positiva no PSI20. Entre as maiores perdas, encontramos NOS (-1,19%), Jerónimo Martins (-1,11%) e CTT (-0,88%). Os primeiros meses de 2018 ficaram marcados por um aumento da volatilidade, com um período brusco de correção entre finais de janeiro e o início de fevereiro, num contexto de yields nominais e reais mais elevadas na Alemanha e nos EUA, e fortes perdas observadas em produtos que permitiam ganhar exposição à diminuição da volatilidade. O relatório de emprego e o índice de preços no consumo de janeiro nos EUA também contribuíram para a deterioração do sentimento observada durante o período;

Permaneceremos atentos ao desenrolar da época de resultados para o 4º trimestre de 2017 em Portugal. Para as próximas semanas, são esperados os resultados de Corticeira Amorim, EDPR, Jerónimo Martins, Sonae Capital, CTT, REN, Altri, EDP, NOS e Sonae SGPS. Durante o último mês, tivemos o Capital Markets Day da Galp Energia para 2018. O dividendo por ação referente aos resultados de 2017 foi aumentado em 10% para 0,55 euros, com o nível a ser mantido como mínimo para os próximos anos. O investimento foi revisto em alta para um valor médio anual de mil milhões de euros para o período entre 2018-2020, tendo presente a meta de 15% para o retorno nos capitais utilizados. O grupo manteve o mesmo nível de produção como meta para 2020, mas mostrou-se mais otimista para a evolução das margens de refinação. O guidance do EBITDA para 2018 situou-se abaixo do consenso. No curto prazo, a evolução da cotação do petróleo deverá revelar-se fundamental para a evolução da cotação do título. A atenção deverá gradualmente concentrar-se nos leilões que terão lugar no Brasil em março e em junho;

Tal como referimos no comentário da dívida soberana, a retração na yields da Alemanha e dos EUA ocorre após terem sido incorporadas expectativas de antecipação na normalização da política monetária na área do euro e nos EUA. Registou-se uma aproximação a níveis relevantes tanto nos 10 anos dos EUA (3%), como da Alemanha (0,8%). Desta forma, e após a fraca evolução desde o início do ano, o setor das Utilities na área do euro poderá encontrar algum suporte, o que coloca a nossa atenção na EDP e, principalmente, na REN (ao comparar com um setor em Espanha para o qual temos tido notícias sugerindo um maior risco regulação). A confirmar-se este ambiente de consolidação das yields, também a área dos yields players poderia encontrar suporte, pelo que destacamos os CTT (também como história de restruturação) e a Navigator (num contexto favorável de preços no mercado do papel). Na área cíclica do mercado, voltamos a destacar Semapa, Sonae Indústria e Corticeira Amorim.

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